domingo, 6 de abril de 2014

Democracia Direta - Suíça


Você sabe o que é Democracia Direta versus Democracia Representativa?

Na Democracia Direta, o povo, através do voto participa diretamente no processo de tomada de decisões, ao contrário da Democracia Representativa, onde o povo vota para que representantes decidam as iniciativas políticas.

A população, na Democracia Direta, através do voto num referendo adota ou rejeita uma lei. As iniciativas podem ser colocadas em votação por qualquer cidadão, respeitando as regras de número de assinaturas e tempo definido para tal ação. Um exemplo desse tipo de Democracia é a Suíça.

Já na Democracia Representativa (ou indireta) os cidadãos elegem representantes, os quais serão responsáveis pela tomada de decisões em seu nome. A maioria dos países do mundo atual segue este sistema, seja na monarquia constitucional (Reino Unido), República Parlamentar (Alemanha) ou República Presidencialista (Brasil e Estados Unidos).

Os Estados Unidos são um caso a parte. Uma república federativa com democracia indireta, pois em nível federal, as eleições não são diretas. Já em nível estadual, muitos estados possuem eleição direta. Para quem quiser entender melhor, aqui está um resumo do site http://www.portugues.rfi.fr/americas/20121104-entenda-eleicoes-norte-americanas

“Apesar de os cidadãos irem até as zonas eleitorais e votarem para um dos dois candidatos, as presidenciais nos Estados Unidos não são diretas. O resultado final depende do número de pontos acumulados nos Colégios eleitorais dos diferentes estados do país, cada um tendo um peso em função de sua população… Esses colégios, chamados por alguns de “grandes eleitores”, totalizam 538 pontos (ou assentos), e o presidenciável deve conquistar pelo menos 270 para ganhar as eleições. No entanto, ao vencer a disputa em um estado, o candidato acumula todos os pontos daquele colégio, e não apenas o valor proporcional do resultado das urnas. Sendo assim, mesmo que candidato "A" derrote o candidato "B" por 60% contra 40%, "A" obtém todos os representantes e "B" não terá nenhum assento naquele estado. “Se um candidato ganhar na Flórida, ele conquista os 29 pontos daquele Colégio eleitoral. É o que a gente chama de The Winner Takes it All (o vencedor leva tudo)”, explica Maurício Gomm Santos, advogado brasileiro e professor adjunto de direito na Universidade de Miami. Também por essa razão as eleições norte-americanas têm apenas um turno, já que a decisão final do pleito não depende totalmente das urnas.”

Modelo Suíço (O povo, o soberano supremo)

A Suíça é o único exemplo de país com Democracia Direta e Semi-Direta, em que o cidadão tem mais poderes para propor mudanças na constituíção através de referendos ou petições populares. No nível municipal e estadual, a simples maioria é suficiente para aprovação ou rejeição de uma lei. Já o nível Federal requer a dupla maioria para assuntos constitucionais. Ou seja, maioria de pessoas e maioria de estados (chamados cantons).

Os suíços são os "campeões das urnas". O povo participa diretamente do processo decisório político. Os cidadãos votam, em média, quatro vezes por ano para se exprimir sobre os temas mais variados, seja em nível federal, cantonal (estadual) ou comunal (municipal).

Eles elegem o parlamento federal a cada quatro anos. E a cada três meses, eles se exprimem sobre temas submetidos ao voto. O sistema é mais ou menos semelhante em nível estadual e municipal.

A frequência elevada dos escrutínios e o número de temas tratados se explicam pelo fato de que o povo dispõe de dois direitos inéditos: o referendo e a iniciativa popular.

Para melhor entendê-lo recomendo assistir o vídeo: http://www.swissinfo.ch/eng/swiss_news/How_the_Swiss_political_system_works.html?cid=30989120

O sucesso social e econômico suíço é creditado por muitos ao sistema de Democracia Direta. Uma curiosidade, até 1971 somente os homens podiam votar na Suíça, mesmo que a introdução do direito popular date de 1891.

Obrigatoriedade de voto

Atualmente somente 10 países no mundo têm voto compulsório : Argentina, Austrália, Brasil, República Democrática do Congo, Equador, Luxemburgo, Nauru, Peru, Cingapura e Uruguai.

Na Austrália a obrigatoriedade do voto é devida à pequena população de 20 milhões de habitantes para um país tão grande, somente um pouco menor que o Brasil.

Em minha opinião, o Brasil ainda não é uma democracia estabelecida. Enquanto o povo não tiver melhor educação, jamais conseguiremos ter uma democracia direta como o modelo suíço.

Sobre a obrigatoriedade de voto, creio que ela deveria ser eliminada do Brasil. Temos número suficiente de pessoas para eleger presidentes, governadores e prefeitos, assim como deputados e senadores. Acho que iriam às urnas somente os politicamente conscientes, evitando a compra de votos por políticos corruptos.

O que você acha dos sistemas direto e representativo? E sobre o voto compulsório?

segunda-feira, 24 de março de 2014

Nossa pobre língua portuguesa

Você acha que precisa melhorar o seu português?

Há algum tempo venho observando, através de e-mail e Facebook, como anda mal a nossa língua portuguesa. Até pessoas que cursaram faculdade cometem erros grosseiros e, infelizmente, não vejo neles a intenção de procurar melhorar.

Essas pessoas não fazem parte da geração atual, têm entre 30 e 50 anos, já são profissionais e não cresceram na era do MSN ou Twitter, onde não escrevem textos com palavras, mas com códigos, se posso assim dizer.

Por morar fora do Brasil há alguns anos e falar diariamente outros idiomas acabo lendo mais em línguas estrangeiras, o que me fez perder muito do meu português com o passar do tempo. Sinto, porém, muita vergonha de cometer algum erro e decidi que tenho que voltar a estudar a língua portuguesa, ainda mais depois da reforma ortográfica, pois quero estar afiada para continuar a escrever.

Tenho me perguntado, além de ler bons livros, o que me ajudaria a melhorar a minha escrita ? Preciso confessar que nos últimos anos li pouquíssimo em português, pois, vivendo fora, acabo me interessando mais pelos jornais de onde vivo ou por assuntos internacionais.

Voltando às pessoas que não escrevem corretamente em português, fico imaginando se elas precisassem arrumar um trabalho no Brasil, como elas ficariam?

Sei que tenho maltratado a última flor do Lácio (inculta e bela) e me envergonho de fazê-la, por isso, mesmo longe do meu país, quero voltar a estudar a minha língua natal.

Acredito que educação é tudo na vida, e que a falta de uma boa educação de base gera a dificuldade de se falar e escrever bem em português. Enquanto o nosso governo não investir mais na educação de base, mais e mais pessoas não só escreverão como também falarão errado, mas este é um assunto já discutido em nosso blog. A questão agora é: Como posso aperfeiçoar meu português?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Roupa suja se lava em casa

Você já criticou o Brasil para um estrangeiro ?

Roupa suja se lava em casa é uma frase que sempre vem à minha mente quando ouço um brasileiro falando mal do Brasil para um estrangeiro. Não gosto de criticar o Brasil para alguém que não seja meu compatriota. Já existe tanta propaganda contra nosso país na mídia internacional, que acho que não precisamos reforçar ainda mais está visão tão negativa que muitos têm de nós.

Por incrível que pareça o que tenho visto nesses 13 anos viajando e morando fora é brasileiro falando muito mal do Brasil para as outras pessoas, seja do transporte, da saúde, da criminalidade, entre outras coisas. O que eles não entenderam ainda é que nós mesmos somos responsáveis pela imagem que o Brasil tem aqui no exterior.

 A primeira vez que estive fora do país, na minha escola haviam alguns brasileiros e eles eram tão negativos sobre o Brasil, sempre dizendo que o país era corrupto, que nada funcionava, etc. Isso sempre me deixou pensando no por quê de alguém ter prazer em mostrar só podre do próprio país em vez de fazer uma boa propaganda do que o Brasil tem de bom e assim contribuir para que tenhamos mais turistas e possamos mudar a cara do nosso país.

E o mais estranho é que nunca vi nenhuma outra nacionalidade falar tanto mal do seu próprio país. Um dia ouvi que no filme Bambi a mãe do Tambor dizia a ele que se ele não havia nada de bom para comentar, que não falasse nada. Procuro fazer o mesmo quando o assunto é Brasil. Se estou com estrangeiros, falo do que é bom e
bonito e simplesmente não faço comentários sobre o que sei que é
ruim. Deixo isso para quando estou exclusivamente com outros brasileiros.

 Acredito que vale mais a pena orar pelo meu país do que criticá-lo a alguém que não poderá fazer nada para nos ajudar, pois isso é propaganda negativa, que acaba virando contra nós próprios.

Peguemos por exemplo a Índia. Se um índiano reclama pra mim do seu país (nunca vi isso, é só um exemplo), diz que o povo é isso ou aquilo, que nada funciona, que o tráfego é caótico. Eu fico até com medo de visitar a Índia e toda vez que eu vejo um indiano dirigindo mal, eu já generalizo e digo « não sabe dirigir, só podia ser um indiano! ».

 Ok, alguns de vocês devem estar dizendo « mas não podemos esconder o sol com a peneira ». Claro, isso não é possível e é por isso mesmo que a imprensa faz seu trabalho e essa é mais uma razão para eu ficar calada, pois a mídia não precisa de mim para colocar mais lenha na fogueira, já há muitos esteriótipos de como somos para eu manchar ainda mais a nossa imagem.

Quando estamos só entre brasileiros podemos sim criticar nosso país e devemos até discutir sobre possibilidades para mudar tantas coisas horríveis que acontecem no Brasil. Penso também que qualquer mudança deva começar comigo mesmo, como respeitar as leis do trânsito, não sonegar imposto, etc. Se cada um que critica o Brasil decidisse que não iria desrespeitar nenhuma lei ou regra, acredito que poderíamos em alguns anos mudar a cara do nosso país. O problema é que criticamos, mas não trazemos soluções, e afinal é sempre mais fácil falar do que fazer.  

Copa do Mundo 

Gostaria de comentar sobre o que tenho visto aqui no exterior sobre brasileiros criticando o Brasil na organização da copa do mundo. Sinto que eles querem desmoralizar o Brasil e acabam desmoralizando a si próprios.

Vejam abaixo um trecho do texto de Eduardo Guimarães no seu Blog da Cidadania (veja a íntegra em http://www.blogdacidadania.com.br/2014/01/sabotar-a-copa-e-sabotar-o-brasil/).

  “...Todavia, tais eventos também podem desmoralizar internacionalmente um país se este, ao organizá-los, vier a colher um fracasso organizacional. O prejuízo de imagem a um país que fracassa na organização de um evento internacional da importância de uma Copa do Mundo, ao contrário do que muitos possam pensar não fica para o governo responsável por tal organização, mas para esse país. Governos passam, países ficam. Se o movimento “Não vai ter Copa” triunfar, no futuro quem ficará conhecido mundialmente pelo fracasso do evento não serão Lula, Dilma Rousseff ou o PT, mas o Brasil. Este país, nesse caso, ficaria marcado para sempre pela incapacidade de organizar eventos internacionais. Será considerado um país selvagem, impróprio para o turismo, incapaz de levar à frente um projeto que tantas nações já conseguiram fazer vingar. 
O que o Brasil vai ganhar sabotando sua própria imagem diante do mundo? Nada.” 

Eu acrescentaria, como um brasileiro vai conseguir viver ou visitar um outro país, onde as pessoas acreditam que eles são mal educados, corruptos, que só sabem jogar bola (mas não conseguem organizar um copa!) e dançar semi-nus (muitos pensam que no Brasil os homens jogam bola e as mulheres dançam samba)?

Sei de todos os problemas que o Brasil tem, mas meu país é como minha família. Posso brigar com eles, bater, criticar, mas não admito que algum estranho fale algo contra eles, pois vou defendê-los com unhas e dentes. Sei que eles não são perfeitos, mas nunca vou deixar que alguém manche o nome deles. Vamos sim falar entre nós, minha família, dos nossos problemas e erros.

Se quiser ler mais sobre o assunto, veja também: http://partiuaustralia.wordpress.com/2013/10/07/brazileiros-que-falam-mal-do-brasil/

sábado, 21 de dezembro de 2013

Tradições Natalinas – Suíça


Você acreditava em Papai Noel ?

Natal é o período do ano que eu mais gosto ! E acho interessante as tradições natalinas, sempre que posso procuro conhecê-las. Tenho uma amiga americana que acreditava em Papai Noel. Ela disse que ficou de coração partido quando um garoto da escola lhe disse que Papai Noel não existia. Numa manhã, enquanto sua mãe penteava seu cabelo ela perguntou : -- Mamãe, um garoto mau da escola disse que Papai Noel não existe! Ela esperava que sua mãe fosse dizer que o garoto estava errado, que ele era mau, etc., mas ao contrário, sua mãe simplesmente disse : -Ele tem razão !

Como eu nunca acreditei em Papai Noel, nem em Coelhinho da Páscoa, achava tudo isso muito estranho...
Como alguém pode acreditar numa fantasia ? Para minha surpresa, meu marido acreditava. Na Suíça, e em algumas partes da Europa, eles celebram a visita de Saint Nicolas (São Nicolas) e Père Fouettard (um senhor negro, em algumas regiões chamado de Pedro, o negro). Saint Nicolas passa nas casas para dar presentes e doces às crianças que se comportaram bem durante todo o ano. Ele possui um ajudante negro, que carrega o saco de presentes e um chicote para bater nas crianças que não foram obedientes. Algumas mães dizem às crianças que se elas não se comportarem, o Père Fouettard virá pegá-las e colocá-las no seu saco, o que muitas crianças temem. Há algumas diferenças dependendo da região, mas em geral na Suíça é essa a tradição.

Quando meu marido era criança, Saint Nicolas era comemorado no seu vilarejo de montanha. Todo ano, em dezembro, Saint Nicolas e Père Fouettard visitava sua casa. Saint Nicolas sabia tudo o que ele tinha feito durante o ano e depois perguntava ao Père Fouettard se Alfonso merecia um presente. Todos os anos ele ganhava um presente e era impressionante que era algo que ele queria. Algumas vezes Père Fouettard ou Saint Nicolas dizia : -- Este ano você fez isso ou aquilo, mas vou relevar, próximo ano se você não melhorar, você não vai ganhar nada ! Um ano, quando ele tinha uns 6 anos, ele estava todo admirado que Saint Nicolas sabia exatamente tudo o que ele tinha feito o ano todo e ele olhou para sua irmã, que é dois anos mais velha do que ele, e ela disse : -Não seja bobo, você não vê que é o papai, olha a blusa debaixo da capa? O pai dele tinha esquecido de fechar um botão. Ele olhou bem e daí viu que era realmente a blusa do seu pai. Ele descobriu naquele momento que tudo era um teatro e ficou tão decepcionado que não conseguiu dizer nada.

Ele era uma criança bem criativa, pois imaginava que Saint Nicolas e Père Fouettard tinham um complexo sistema de cameras que via tudo o que acontecia no vilarejo. Pois é, o pai dele foi o Saint Nicolas do vilarejo por vários anos. Os pais se reúnem alguns dias antes da visita e recebem informações sobre as crianças. Um dia antes ou algumas horas antes da visita eles recolhem os presentes que Saint Nicolas irá entregar. Saint Nicolas e Père Fouettard, antes de entrar nas casas, dão uma olhada na ficha de cada criança, portanto eles lembram exatamente o que dizer para cada uma delas.


Quando meu marido cresceu ele também participou dessa tradição, primeiro como Père Fouettard e algumas vezes como Saint Nicolas. Ele disse que as crianças que ele conhecia bem ficavam tão admiradas de como ele sabia detalhes da vida delas. Mas ele tomava muito cuidado para elas não perceberem quem ele era. Para ele era um momento mágico, muito apreciado pela criançada.

Se tivesse filhos não deixariam eles acreditar em fantasias.
Sou cristã e racional e iria explicar que Papai Noel ou Saint Nicolas são tradições e histórias. Acredito também que não daria presentes no Natal, preferiria dar presentes no aniversário e talvez no Ano Novo, mas deixaria o Natal como um dia especial para celebrar a vinda de Jesus ao mundo, o verdadeiro sentido dessa festa.

domingo, 13 de outubro de 2013

Modelo de formação suíço


O sistema brasileiro de educação profissional é muito baseado na aquisição de habilidades e conhecimento no campo do trabalho através dos cursos universitários. Diferentemente de outros países como a Suíça e França, onde curso universitário é visto como profissão acadêmica, todas as outras profissões são consideradas técnicas e por isso são ministradas no nível médio, chamado de cursos profissionalizantes.

O melhor sistema que já vi é o suíço, no qual cada aluno quando termina a escolaridade de base (nove anos) escolhe a ramo acadêmico ou técnico. O acadêmico engloba Ciências Políticas, Medicina, Odontologia, Engenharia Politécnica, História e outras matérias para formação de professores, etc. Para poder cursar uma faculdade, que é gratuita, o aluno precisará fazer o colegial e mais três anos de estudo que o preparará para o curso universitário, que é conhecido como Sistema Terciário A. Neste artigo, vou explicar como o sistema técnico funciona. Aqueles que escolhem a via técnica, com cursos como assistente social, bancários, computação, mecânica, eletrônica, eletricidade, enfermagem, secretariado e qualquer área de escritório, comércio, e outros como padeiro, carpinteiro, pedreiro, cabeleireiro, vão diretamente para o curso técnico de dois a quatro anos. Esse é o Sistema Terciário B da economia suíça.


Antes de escolher a profissão, o aluno é assessorado com testes vocacionais que lhe darão melhor conhecimento da área a ser estudada. O sistema educacional oferece aos estudantes não somente um treinamento específico para a profissão, mas também como criar e manter um negócio, com aulas de contabilidade, gerenciamento, etc., cada um no seu ramo de especialidade. Esses cursos são um perfeito casamento entre teoria e prática. Dependendo do curso, os alunos têm dois dias de aula teórica e três dias de trabalho prático numa empresa, onde se receberá um salário, mas será avaliado em seu desempenho. Uma colega que cursou Empregado de Comércio, estudava dois dias e meio e trabalhava dois dias e meio. Ela me explicou que durante as férias escolares, o aluno trabalha cinco dias por semana. Portanto, a carga horária varia dependendo do curso.

As empresas possuem um responsável pelos aprendizes, um profissional que os ajudará a trilhar o curso profissional. O próprio curso ajuda os alunos a encontrar um emprego (estágio). Aliás, o aluno começa o curso e estágio ao mesmo tempo. Se por acaso ele não tiver escolhido um emprego, não poderá fazer o curso. Mas tudo é regulamentado pelo departamento de educação, por isso, quem verdadeiramente quer estudar sempre terá um estágio. É possível mudar de ramo durante o curso, o que ajuda os alunos a cursarem algo que lhes agrada. Nesse sistema, o profissional é realmente qualificado. Não existe profissional meia boca, se não for bom, não terá um diploma e não poderá trabalhar naquele ramo. Muitos quando formados continuam na mesma empresa onde fizeram o estágio e se, por acaso, quiserem mudar, o próprio departamento educacional ajuda-os a encontrar uma nova colocação.

Preciso também dizer que existe um número bem reduzido de escolas que oferecem cursos profissionalizantes de tempo integral, sem o estágio. Imagino que sejam mais cursados por estrangeiros que querem estudar na Suíça, como o curso de hotelaria e turismo. A maioria dos suíços escolhe o curso técnico, pois muitos podem ganhar tanto quanto um profissional de curso superior. Nesse tipo de educação, onde o curso técnico é enfatizado, a possibilidade de trabalhar na área escolhida traz melhor contentamento. Diferentemente do que acontece no Brasil, onde muitos cursam uma faculdade, mas terminam trabalhando numa área que não tinham escolhido, pois há muito profissional universitário e poucos técnicos habilitados, o universitário acaba podendo desempenhar uma melhor função no Sistema Terciário B.

Em 2009, segundo o escritório federal de estatísticas do governo da Suíça, cerca de 90% dos jovens suíços possuíam um diploma profissional, sendo 68,7% técnico e 22,5% universitário. Já em 2013, de acordo com o site de estatísticas federal (http://www.bfs.admin.ch/bfs/portal/fr/index/themen/15/06/dos/blank/05/04.html), somente cerca de 16% dos jovens suíços possuem diploma universitário. A mão-de-obra suíça é uma das mais bem pagas do mundo, bem acima da alemã, inglesa ou americana. Acabo de ler uma matéria num jornal inglês que a Inglaterra pretende criar um modelo de curso técnico como o suíço.

De acordo com o site Avenir Suisse (http://www.avenir-suisse.ch/fr/1863/lavenir-de-lapprentissage/), o curso técnico com estágio faz parte central do modelo de formação profissional suíço. Ele acentua a formação prática que permite aos alunos, menos avançados academicamente, desenvolver seus talentos. A ligação entre o mercado de trabalho e a escola facilita a transição para o mundo profissional. Este esforço de integração é a base da baixa taxa de desemprego entre os jovens na Suíça. A parte de formação efetuada através do trabalho numa empresa (estágio) é em grande parte auto-financiada (a empresa paga o salário do estagiário), o que aporta ao sistema legitimidade e estabilidade.

Experiência própria 
Agora vou explicar a experiência de meu marido. Ele sempre gostou de carros e motores e por isso, quando terminou o sistema básico de nove anos, foi diretamente para o curso técnico de mecânica. Durante três anos ele estudou e trabalhou numa mecânica. Ao terminar o curso, ele decidiu que gostaria de cursar a faculdade de Engenharia, mas como ele teria que morar num outro cantão (estado) e não tinha dinheiro suficiente para isso, ele continuou trabalhando e fez o colegial à noite, que o preparou para o curso superior. Ele fez um ano da escola politécnica de Lausane (EPFL) e depois mais três anos na Escola Superior de Engenharia de Bienne. Como ele já havia feito mecânica, o estudo superior foi muito mais fácil. Na Suíça não há vestibular, os alunos que escolhem a via acadêmica são assessorados para entrar diretamente na faculdade que escolherem. Normalmente deve-se cursar uma universidade no cantão que se mora. Porém se o curso que escolher não houver naquele cantão, pode-se estudar num outro.

Já minha cunhada fez o curso técnico para funcionário dos correios e continuou com a empresa por quase 25 anos. Depois dos 40, ela decidiu largar os correios e fez um curso técnico de empregado de comércio/indústria, durante três anos, e acabou trabalhando na mesma empresa onde fez seu estágio. Dos suíços que trabalham comigo um ou dois fizeram universidade, todos os outros provém do Sistema Terciário B, ou seja, dos cursos técnicos. Dos que conheço que cursaram faculdade são os médicos, economistas, professores universitários e engenheiros.

sábado, 27 de julho de 2013

Projetos Assistencialistas

 Será que assistencialismo faz o povo ficar preguiçoso?

Este é um assunto que me intriga, pois cerca de 90% ou mais dos meus amigos (que vieram de famílias de classe média pra cima) acreditam que os projetos assistencialistas do atual governo brasileiro farão o povo ficar ainda mais dependente de ajuda.
 
Gostaria de apresentar alguns exemplos de assistencialismo no mundo para conhecermos a experiência de outros povos e refletirmos melhor no que pode acontecer com as pessoas beneficiadas por esses projetos.

Vamos começar pelos Estados Unidos, um país que preza a iniciativa do individual. O sistema de saúde pública, como Medicare, é restrita à classe baixa (pobres). Já as empresas são obrigadas a fornecerem planos de saúde para seus empregados. A classe média, por exemplo, não se qualifica para ser atendida nos hospitais públicos.

Além da educação básica primária e secundária totalmente gratuita, há subsídios para os cursos universitários (que são todos pagos). Há também subsídios para baixos salários, alojamento para os mais pobres, programa de nutrição suplementar, chamada Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), onde os mais pobres recebem ajuda financeira para a compra de alimentos (similar ao programa da cesta básica), porém lá eles escolhem o que querem comprar.

Já na França saúde é para todos. Um país social onde há uma piada que diz que após cinco filhos o casal não precisa mais trabalhar, pois a ajuda do governo é suficiente para sustentar toda a família. Esse benefício, porém, tem diminuído nos últimos anos, pois a taxa de natalidade é maior entre os imigrantes.

O sistema social françês remonta à época medieval, quando era chamada de Benefício Fraternal. Atualmente na França o sistema de saúde é universal, ou seja, independentemente da classe social todos têm direito ao sistema público de saúde. Esse sistema é tão inclusivo que até os imigrantes ilegais são beneficiados. Conheço uma senhora, aposentada de um banco no Brasil, que decidiu morar na França. Ela me disse que quando está doente não somente recebe o remédio de graça, mas se precisar pode também requerer uma enfermeira para ir à sua casa. Os franceses que moram no exterior possuem um seguro saúde do próprio governo francês que pode ser usado em qualquer outro país.

Nos países escandinavos, como a Suécia, as mães recebem cerca de 16 meses de licença maternidade* para cuidar de seus bebês. Tenho uma amiga britânica, cujo marido francês trabalhava na Dinamarca, na época em que ela deu a luz ao seu segundo bebê. Somente por ter tido um bebê naquele país, ela recebeu um cheque de 7 mil euros para ajudar nas despesas com o recém-nascido.

No Quebec, Canadá, os novos pais recebem uma ajuda de 1000 dólares canadenses (cerca de US$970) por mês.

Na Inglaterra, as mulheres grávidas recebem gratuitamente até meia-calça de alta pressão para prevenir varizes.

Já na Suíça, os desempregados recebem 80% de seu último salário por um período de até dois anos, no qual o departamento de desemprego ajuda a pessoa com cursos e treinamentos** para conseguir um novo trabalho. Se após dois anos a pessoa ainda não teve sucesso na sua área, ela precisará aceitar um emprego que talvez pague menos, mas o governo compensará a diferença para que ela tenha o mesmo salário do emprego anterior.
    
Penso que devemos começar em algum lugar. Pelo que sei os programas brasileiros visam especificamente as crianças, as bolsas são incentivos para que mais crianças tenham acesso à escola e menos trabalhem para ajudar suas famílias. Por experiência própria posso dizer que se quando eu e meus irmãos éramos crianças, como órfãos tivéssemos tido alguma ajuda do governo teríamos conquistado e avançado muito mais.

A França começou seu projeto assistencialista já na idade média. Claramente há muito mais benefícios para os pobres nos países ricos, a diferença é que eles têm menos pobres. Será que consideraríamos os suíços e franceses preguiçosos por causa da assistência que eles vêm recebendo há mais de 100 anos?

Em todo sistema há preguiçosos e aproveitadores, mas há também os que somente precisam de uma pequena ajuda para alcançar outro nível, crescer e contribuir com a economia e avanço do país.

No meu simples entender o problema não são os programas sociais, mas sim como eles são gerenciados. É necessário haver um estrito controle para evitar corrupção e desvios.

O que você sabe dos sistemas assistencialistas de outros países e do Brasil?


*Tabela de comparação entre os países:

http://en.wikipedia.org/wiki/Parental_leave

 

*cursos de línguas, informática, contabilidade, etc...


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Expo 2020, São Paulo ou Dubai

Será que São Paulo tem condições de competir com Dubai como cidade sede da Expo 2020?

Desde que Dubai se candidatou a sediar a Expo 2020, a cidade foi invadida por propaganda em todos os meios de comunicação do país, de outdoors a folhetos, colocando-a como o local mais apropriado para receber a maior exposição do mundo.

Já São Paulo, infelizmente pouquíssima propaganda se vê pela cidade. Vi somente um anúncio bem pequeno numa revista.

A primeira Expo Universal aconteceu em 1851 em Londres. As principais atrações desta Feira Mundial são os pavilhões nacionais, criados pelos países participantes, onde cada um deles tem a oportunidade de apresentar as suas mais novas invenções.

Desde o ano passado, com a apresentação das cidades candidatas, São Paulo (BR), Izmir (Turquia), Ekaterinburg (Rússia), Ayutthaya (Tailândia) -- já fora do páreo -- e Dubai (EAU), fiquei me perguntando quem realmente mereceria ter a visibilidade que uma expo oferece.

O secretário de relações internacionais britânico disse que seu país escolheu Dubai por poder trazer a Expo ao Oriente Médio pela primeira vez. “Dubai não é somente uma cidade da Arábia, mas do mundo, onde culturas, idéias e pessoas de todas as partes do globo se encontram e onde mais de 200 nacionalidades moram e trabalham.”... “Dirigindo através de Dubai vemos arquitetura extraordinária e infra-estrutura servindo emiradenses (emirianos soa melhor pra mim), indianos, africanos, europeus e asiáticos, residentes e turistas, que usam um metro cheio de estilo, concebido e operado por empresas britânicas.”

Além disso tudo, ele ainda afirma que os 100 mil britânicos que vivem aqui são orgulhosos contribuintes do que Dubai se tornou. Passando de uma simples vila de pescadores num pólo internacional de negócios, idéias e criatividade em menos de 50 anos.

Com o suporte assim tão forte do Reino Unido, será que alguma outra cidade conseguirá competir com Dubai?

A estimativa de gastos com infra-estrutura em Dubai é de 2 a 4 bilhões de dólares (cerca de 4 a 8 bilhões de reais), para receber cerca de  25 milhões de visitantes para a feira.
O local escolhido é entre Dubai e Abu Dhabi numa área de 438 hectares, onde já há um aeroporto (Dubai World Centre Airport), o segundo da cidade.

Dubai já é considerada a favorita, pois dia 12 de junho anunciou um pacote de 150 milhões de euros de ajuda aos países em desenvolvimento para que eles possam participar da Expo 2020, e mais 100 milhões de euros num fundo de parceria para incentivar idéias criativas para projetos de desenvolvimentos em energia, água, logística, transporte e educação, onde qualquer pessoa ou entidade nacional ou internacional pode participar.

Em 2009, o governo de Dubai conduziu um estudo sobre a melhor estratégia a longo termo, entre sediar os Jogos Olímpicos de 2020 ou a Expo 2020 e o resultado foi que seria muito mais vantagem para a cidade ter a Expo 2020.

Os Emirados Árabes Unidos e Dubai, particularmente, avançam e prosperam diariamente e eles querem que o mundo todo veja o que está acontecendo aqui.

Segundo meu marido, o ponto mais fraco de São Paulo nessa corrida é o trânsito e a falta de transporte coletivo eficiente ligando todas as regiões da cidade. Não há trem, nem metrô até o aeroporto (poucas cidades do mundo possuem um aeroporto que não é ligado via trem ao centro).

Já pra mim, além do problema do trafego em São Paulo, acho que a comissão do bureau internacional de exposições levará em conta que o Brasil está recebendo numa mesma década dois eventos internacionais, Copa e Jogos Olímpicos, e talvez prefira dar a vez para uma outra cidade.

Você acha que São Paulo tem alguma chance?

domingo, 16 de junho de 2013

Expo 2020, São Paulo ou Dubai

Será que São Paulo tem condições de competir com Dubai como cidade sede da Expo 2020?

Desde que Dubai se candidatou a sediar a Expo 2020, a cidade foi invadida por propaganda em todos os meios de comunicação do país, de outdoors a folhetos, colocando-a como o local mais apropriado para receber a maior exposição do mundo.

Já São Paulo, infelizmente pouquíssima propaganda se vê pela cidade. Vi somente um anúncio bem pequeno numa revista.

A primeira Expo Universal aconteceu em 1851 em Londres. As principais atrações desta Feira Mundial são os pavilhões nacionais, criados pelos países participantes, onde cada um deles tem a oportunidade de apresentar as suas mais novas invenções.

Desde o ano passado, com a apresentação das cidades candidatas, São Paulo (BR), Izmir (Turquia), Ekaterinburg (Rússia), Ayutthaya (Tailândia) -- já fora do páreo -- e Dubai (EAU), fiquei me perguntando quem realmente mereceria ter a visibilidade que uma expo oferece.

O secretário de relações internacionais britânico disse que seu país escolheu Dubai por poder trazer a Expo ao Oriente Médio pela primeira vez. “Dubai não é somente uma cidade da Arábia, mas do mundo, onde culturas, idéias e pessoas de todas as partes do globo se encontram e onde mais de 200 nacionalidades moram e trabalham.”... “Dirigindo através de Dubai vemos arquitetura extraordinária e infra-estrutura servindo emiradenses (emirianos soa melhor pra mim), indianos, africanos, europeus e asiáticos, residentes e turistas, que usam um metro cheio de estilo, concebido e operado por empresas britânicas.”

Além disso tudo, ele ainda afirma que os 100 mil britânicos que vivem aqui são orgulhosos contribuintes do que Dubai se tornou. Passando de uma simples vila de pescadores num pólo internacional de negócios, idéias e criatividade em menos de 50 anos.

Com o suporte assim tão forte do Reino Unido, será que alguma outra cidade conseguirá competir com Dubai?

A estimativa de gastos com infra-estrutura em Dubai é de 2 a 4 bilhões de dólares (cerca de 4 a 8 bilhões de reais), para receber cerca de  25 milhões de visitantes para a feira.
O local escolhido é entre Dubai e Abu Dhabi numa área de 438 hectares, onde já há um aeroporto (Dubai World Centre Airport), o segundo da cidade.

Dubai já é considerada a favorita, pois dia 12 de junho anunciou um pacote de 150 milhões de euros de ajuda aos países em desenvolvimento para que eles possam participar da Expo 2020, e mais 100 milhões de euros num fundo de parceria para incentivar idéias criativas para projetos de desenvolvimentos em energia, água, logística, transporte e educação, onde qualquer pessoa ou entidade nacional ou internacional pode participar.

Em 2009, o governo de Dubai conduziu um estudo sobre a melhor estratégia a longo termo, entre sediar os Jogos Olímpicos de 2020 ou a Expo 2020 e o resultado foi que seria muito mais vantagem para a cidade ter a Expo 2020.

Os Emirados Árabes Unidos e Dubai, particularmente, avançam e prosperam diariamente e eles querem que o mundo todo veja o que está acontecendo aqui.

Segundo meu marido, o ponto mais fraco de São Paulo nessa corrida é o trânsito e a falta de transporte coletivo eficiente ligando todas as regiões da cidade. Não há trem, nem metrô até o aeroporto (poucas cidades do mundo possuem um aeroporto que não é ligado via trem ao centro).

Já pra mim, além do problema do trafego em São Paulo, acho que a comissão do bureau internacional de exposições levará em conta que o Brasil está recebendo numa mesma década dois eventos internacionais, Copa e Jogos Olímpicos, e talvez prefira dar a vez para uma outra cidade.

Você acha que São Paulo tem alguma chance?

domingo, 5 de maio de 2013

Polícia de Dubai

Ferrari ou Lamborghini

Quantos de nós já não sonharam em dirigir um Mercedes, BMW ou Audi?

A primeira vez que visitei os Emirados Árabes Unidos em 2003 fiquei impressionada com a diversidade e quantidade de carros caros nas ruas do país. Mas o que realmente me surpreendeu foi o tipo de carros da polícia. Eles eram os carros dos sonhos de todos nós, como Mercedes, BMW, Audi etc.

Atualmente, nem viro mais a cabeça para ver um desses automóveis, pois eles são tão comuns que até alguns dos meus amigos dirigem esses carros. O que prende minha atenção neste momento são os Maseratis, Bentleys, Aston Martins e Lamborghinis, pois até alguns Porsche e Ferrari são totalmente “normais” por aqui.

Há algumas semanas a Polícia de Dubai recebeu dois novos modelos para sua frota. Um Lamborghini Aventador LP 700 que custa 761.500 dólares e mais recentemente um Ferrari FF, que sai pela bagatela de 625 mil dólares. Este último carrinho pode acelerar de 0 a 100km/h em apenas 3 segundos e em 7 alcançar a velocidade de 335 km/h. O Lamborghini não deve ficar atrás.

Outra informação interessante é que os carros Ferrari fazem parte da frota de polícia feminina e já o Lamborghini da polícia masculina.







Estou, porém, decepcionada, as policiais não poderão perseguir nenhum infrator com esses carros. Eles são somente para atrair turistas e para patrulha de segurança. Isto é realmente uma pena e deixará muitas motoristas frustradas, atrás de um volante com motor potente, mas só com água na boca. 
 
 

sábado, 6 de abril de 2013

Nossa triste educação parte II

Investimentos na infância

Educação é uma das áreas que mais me preocupa no Brasil, pois acredito que ela seja peça fundamental na mudança de vida de uma pessoa. Além de lhe dar a oportunidade de arrumar um emprego melhor, aumenta a auto-estima, ajuda na sociabilidade e motivação para continuar crescendo e aprendendo.

Estudo divulgado no ano passado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avaliando 65 nações, o Brasil ficou na 53ª posição. Isso teria sido pior se fossem analisadas separadamente as escolas públicas, justamente as que educam três em cada quatro alunos do país, pois o Brasil então ficaria na 60ª posição do ranking, logo atrás do Cazaquistão.

O New York Times publicou recentemente um trabalho dos professores James Heckman e do brasileiro Flávio Cunha, da Universidade da Pensilvânia, que mostra que a diferença entre habilidade cognitiva de uma criança de 3 anos é tão grande quanto de uma pessoa de 18 anos. Este estudo confirma que o investimento na infância de crianças desfavorecidas é extremamente importante, ela pode realmente mudar a situação na qual a pessoa nasceu. “Crianças que tiveram uma boa educação na infância são adultos bem sucedidos na faculdade, ganham mais em suas profissões e diminuem as taxas de criminalidade em geral”, diz a matéria.

De acordo com o relatório da OCDE, o investimento por aluno no Brasil é muito inferior ao praticado, em média, pelas nações desenvolvidas, com 2.405 dólares por aluno do ensino fundamental. Na OCDE, o valor é de 7.719 dólares. No ensino médio, a comparação é ainda mais chocante: 2.235 dólares ante 9.312 dólares, respectivamente.
Já no ensino superior, o Brasil se aproxima da cifra dos países de ponta, aplicando 11.741 dólares por estudante, frente aos 13.728 dólares da OCDE. Os dados mostram a tendência brasileira de investir no nível universitário em detrimento da educação básica: gasta-se 7 vezes mais com um aluno do nível superior do que com o estudante do fundamental. 

Má educação sendo perpetuada

Como um jovem que termina o colegial sem saber ler corretamente, mal sabe fazer conta, pode ter interesse em continuar estudando? Menos se sabe, menos se pensa que pode continuar aprendendo. Uma criança pobre cujos os pais são iletrados, estudam numa escola pública onde os professores não são bem formados, terminam o ensino básico sem muito conhecimento e depois não conseguem competir com alunos de escola particular para uma vaga numa universidade pública. Esta é a triste realidade de muitos brasileiros. Se nascemos numa família de classe baixa, é preciso muita força de vontade e determinação para ultrapassar todos os obstáculos para conseguir continuar estudando.

A disparidade do gasto brasileiro com o ensino público superior contra o do ensino fundamental acaba perpetuando o ciclo da pobreza da maior parte da população. As classes média e alta estudam em escolas particulares e terminam conseguindo vagas nas universidades públicas, que recebem mais investimentos. Já os pobres começam com má educação e pouquíssimos conseguem ultrapassar essa barreira. Muitos acabam desestimulados, largam a escola, casam-se, têm filhos e assim recomeça-se mais um ciclo de pobreza e baixa educação.

Tenho uma amiga em Dubai cujo marido é um homem de negócios da construção civil. Mesmo morando em Dubai, ele decidiu trabalhar no Brasil e investir na área da construção. Ele comentou com meu marido que o maior problema do Brasil é a falta de mão-de-obra especializada. Essa falta de conhecimento da população está fazendo com que o país não avance como deveria.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A morte está na esquina,

o que fazer para evitá-la?

Você normalmente pensa que um acidente pode acontecer a qualquer momento? Você toma algumas precauções? O que podemos fazer para prevenir tragédias?

Quando tragédias como a de Santa Maria-RS acontecem, sou lembrada que a vida é muito frágil. Gosto de uma musica (em inglês) que diz que “Sou uma flor murchando, aqui hoje e amanhã não mais, uma onda jogada no oceano, vapor no vento...” e toda vez que muitos morrem de maneira inesperada penso quão mortais somos. A velha frase, para morrer basta estar vivo é sempre atual.

Mas neste texto, não quero refletir sobre a morte, mas sim como evitar tragédias como essa.
 
Não sou especialista em segurança, mas acredito que há algumas medidas simples que podem ser implantadas e que ajudariam a diminuir o número de vítimas num acidente com incêndio.
Gostaria de começar uma campanha para que todos os locais que podem reunir mais de 100 pessoas ao mesmo tempo, como cinemas, teatros, casas de show, anfiteatros universitários, tenham pelo menos três saídas de emergência bem sinalizadas (duas em cada lado da sala e uma que pode ser a própria entrada quando a sala não ultrapassar a capacidade de 500 pessoas). Outra medida seria adotar um sistema de anúncio para explicar e relembrar onde as saídas de emergência se encontram. A cada hora, uma mensagem no sistema de som e até mesmo com luzes mostraria as saídas.
Num show, quando as luzes estão apagadas facilmente perdemos as referências de onde as portas estão. Se houver ingestão de bebidas fica muito mais difícil se orientar. Portanto, por motivo de segurança, não custa nada informar com avisos audíveis e visíveis para onde correr no caso de um acidente.

Claro que existem muitos outros mecanismos que precisam ser implantados, como os sprinklers (jatos de água contra incêndio nos tetos, que são acionados quando há aquecimento demasiado da sala).
Há também a cultura de treinamento de incêndios (os famosos fire drills que vemos nos filmes) e que no Brasil não é uma prática. No Brasil, durante meus anos de escola e trabalho, fiz somente dois treinamentos de incêndio, nenhum porém na escola. Na Inglaterra, por exemplo, em três meses de curso, tivemos um fire drill, e a escola era pequena. No navio, tínhamos drills todas as vezes que navegávamos e fire drills em cada porto, ou seja quase uma vez por mês. Quanto mais se pratica, mais fácil se torna saber o que fazer numa hora de desespero. Desde crianças deveríamos aprender a se comportar e o que fazer durante um acidente.
 
O que vocês acham? Alguma sugestão para que uma campanha desse tipo seja desenvolvida no nosso país?

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